Se eu tivesse que escolher um tema sobre o qual comentar agora, seria definitivamente o final do Verão. Daí, vocês caros amigos, me diriam: 1. Tecnicamente o verão ainda não acabou; 2. A temporada de verão acabou faz tempo, e?
Pois deste lado do continente, nesse pontinho perdido do mapa entre a cordilheira e o Atlântico em que eu me encontro, isso faz muita diferença. Primeiro de tudo, porque eu moro no Guarujá chileno, também conhecido como Viña del Mar. Cidade agradabílissima fora do inverno e com uma população de mais ou menos 290 mil pessoas – e que desde o Ano Novo vem recebendo 150 mil outras pessoas por semana – aproximadamente.
Sim, é um Guarujá bombando. Como 99% das coisas no atual contexto, essa superpopulação também pode ser explicada pela crise: ninguém quer gastar muito dinheiro e ir, sei lá, pra La Serena, Pucón, Punta del Este, Florianópolis e equivalentes.
O resultado: a cidade lotada. Supermercados infernais, comprar um sorvete na praia se transformou realmente em uma missão de exército. Pokemóns (Emos) por todos os lados exibindo seu lindo estilo qualquer coisa.
Argentinos e Santiaguinos foram as duas raças predominantes sobre a cidade nesses últimos meses – e nós – habitantes da cidade – provincianos – os caiçaras da história.
A temporada oficial de verão terminou no último domingo, 1° de março. Terminou o Festival Internacional de Viña del Mar (com bastante relevância para o resto da América Latina), as crianças voltaram para a escola com seus clássicos uniformes com vestidos, ternos e gravatas, as universidades receberam os estudantes de intercâmbio e agora recebem os ‘mechones’ (os ‘bichos’ ou ‘novatos’ locais – nos próximos posts eu me aprofundo nos rituais de iniciação dos pobres por esses lados…), começou a fazer frio, e às 7 da manhã ainda está bem escuro pra alguém em sã consciência querer sair da cama.
A cidade se esvaziou. Assim em algumas poucas horas (que devem ter sido muitas pra quem estava voltando pra Santiago com o trânsito). Viña del Mar voltou à paz, à sua pacatez de cidade pequena pra média da região central. Ficaram poucos Santiaguinos e já é possível caminhar de novo pela rua da orla sem tropeçar com artesanato, estátuas vivas, artistas, vendedores de todo tipo de bugiganga ‘original’ e crianças arrastadas pelos seus país a passear às 11 horas da noite pela rua.
O trabalho nunca parou nesse meio tempo – então pra quem mora, vive e trabalha numa cidade turística vem o alívio: Não tem mais ninguém disfrutando de um lindo dia de verão enquanto eu estou aqui, sofrendo de camisa e salto alto tentando entender os novos comportamentos dos consumidores de aço importado da China para a África do Sul – e outros tipos de ‘missão impossível’ do gênero.
Fim do verão: estamos todos no mesmo barco.





