Como eu comentei 20 dias atrás, estou de volta ao mercado formal de trabalho. Com contrato, plano de saúde e previdência social. A empresa ocupa um andar e meio do edifício tecnológico da corporação nacional de fomento à produção (CORFO) e trabalha basicamente com busca e análise de informações em diferentes níveis para clientes globais.
O trabalho é bom, a gente é sensacional (30% chilenos, 60% cidadãos de todos os lugares do mundo que vc puder imaginar, com preferência para a Índia) e o ambiente de trabalho está entre os top 10 mais gratos com que eu já tive contato.
É difícil admitir que eu tô curtindo uma função completamente diferente daquela que eu escolhi, gostei e que desempenhei nos últimos sete anos de vida, mas é verdade. Eu até consigo vislumbrar certo quê de trabalho jornalístico na minha mais recente experiência em análise de mercado, mas eu sei que é só por fixação minha. Nesse trampo, assim como no jornalismo, a gente lida com a informação. Em ambos os casos muita informação.
No meu trabalho, especificamente, informação financeira, demográfica e às vezes social (ok, comportamento de mercado não chega a ser uma profunda análise da sociedade, mas tudo está relacionado). No caso do jornalismo tradicional (olha como eu quero me convencer de que eu ainda sou jornalista…), a gama de temas com os quais a gente tem contato são muito mais numerosos, mas eu juro que entre análises do mercado de aditivos da construção civil e uma crônica sobre o sucesso da mulher melancia na Playboy, eu ainda gosto muito mais do meu trabalho atual.
Comparações à parte, as diferenças fundamentais do meu trabalho de agora para o jornalismo propriamente dito são o público e a finalidade.
Os trabalhos que eu faço atualmente são contratados sob total confidencialidade. O nome dos clientes ou o conteúdo dos nossos projetos não é e não pode ser jamais conhecidos. Essa informação é de propriedade de quem contratou o estudo e o que o cliente vai fazer com ela é realmente um problema dele, mas normalmente pode aproveitar isso para explorar novos mercados, lançar novos produtos ou asfixiar a concorrência da maneira que achar mais conveniente.
Eu quero acreditar que a finalidade do jornalismo ainda é a sua vocação pública, a entrega de informações ou discussão de temas de interesse público e que de alguma maneira levem a um melhor conhecimento da realidade local, nacional e mundial – além de entreter um pouco porque ninguém é de ferro. O que o público faz com essa informação tanto faz, mas pelo menos isso de alguma maneira está disponível para ser usado como arma ou ferramenta para conhecer, entender e quando for o caso questionar o mundo em que nós vivemos.
Às vezes eu sinto falta dessa missão maior, mesmo que eu também visse isso de maneira bastante difusa quando eu trabalhava na imprensa propriamente dita. Mas, não vão ser as circunstâncias que vão fazer de mim menos idealista. Eu sempre soube o que eu queria da vida, e não era pouco.
Jornalismo sucks. Ce faz muito bem, gata. Parabens pelo trabalho novo e montes de bons pensamentos proce!
Beijao!
Mari, bom passar pelo mundão virutal e te encontrar numa esquina. Bom ler seus pensamentos, saber da nova fase e dos novos desafios. Quer dizer que você se foi, mesmo, né?
Um beijo grande e saudades!
Júlia